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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

De Arthur Melo a Liniker, festa Agosto se afirma como espaço de múltiplas sonoridades

Por carolbraga*

22/10/2017 às 10:31

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Aos 19 anos, Arthur Melo desponta na cena mineira. Crédito: Yannick Falisse

Arthur Melo foi um dos destaques da festa Agosto. Crédito: Júlia Dias

 

 

Por Tainá Silveira*

Logo na abertura da casa, durante a passagem de som, a luz cai. Com o problema resolvido, vêm vários outros. Microfone falhando, retorno desajustado e clareza de som amplificado baixa. Nada disso impediu que a “Agosto” – uma festa plural que reuniu ritmos, religiões e gêneros – fosse agitadíssima no Mercado Distrital do Cruzeiro. O show de Liniker e os Caramelows era um dos mais esperados. 

Dj Zubreu

Fazendo o esquenta, Dj Zubreu foi do o hit “Pretin” de Flora Matos à Rita Lee e Amy Winehouse. Teve forró, swing latino, funk e pop, tudo num remix dançante, é claro! A casa estava vazia e a galera ia chegando aos poucos, mas ainda sim, vários corpos se permitiam dançar contagiados.

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Crédito: Yannick Falisse

Arthur Melo convida Teago Oliveira

No extremo oposto de Zubreu, o estreante mineiro Arthur Melo subiu ao palco, pontualmente, às 23 horas. Trouxe uma música fluida e pouco sólida, daquelas que te fazem viajar. Acompanhado pelos músicos Haroldo Bontempo (guitarra), Diego Dutra (baixo), Dante Batista (guitarra) e Pedro Theodoro (bateria), Arthur fez o maior show de sua carreira até agora. O som que lembra “Soulstriper” e “O Terno” ainda se mostra em desenvolvimento. O que é perfeitamente compreensível, já que, o jovem de 19 anos, lançou seu primeiro EP “Agosto” em março deste ano.

Arthur conta que a recepção do EP tem ultrapassado os limites de Minas e chegado em outros estados. “Está muito bom ver como a galera está curtindo”. Um novo trabalho já está a caminho. A promessa é que seja bem diferente do atual. “Agosto tem uma aura mais introspectiva, mais fechada, o disco novo está muito mais aberto, tem muito mais instrumentos e muito mais músicas. As letras são sobre coisas minhas, da forma como eu vejo o mundo, as relações e tudo mais. Ele está muito mais expansivo e abrangente”, revela.

Depois de quatro músicas arrastadas e quase oníricas, chegou “Já Deu”, que em nova roupagem animou quem o ouvia. Subiu então ao palco o vocalista do Maglore, Teago Oliveira e o produtor Leo Marques. “Com dezenove anos eu comia areia!”, Teago parabenizou o colega com bom humor. O show continuou com as músicas adequadas aos ouvidos preguiçosos. Destaque para “Mantra” que saiu dos mesmos acordes de sempre e para a música de encerramento “Força”. Arthur disse que está muito feliz com a conquista, principalmente pela festa levar o nome de seu EP. Para ele, dividir o palco com Liniker, de quem é muito fã, e receber Teago Oliveira e Leo Marques foi mágico.

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Zero + Tambores de Ifá + Dj Zubreu

Em uma nova experiência musical os tambores dos passes de axé se misturam ao som digital de Zubreu. Comandado pelo percussionista Zero, a música de terreiro ganhou um toque de trance, que tornou impossível se conter e não dançar. Eu particularmente amo percussão e não consigo ficar parada quando ouço. Talvez por isso, tenha parecido destoante do resto do público que, ansioso para ver Liniker estava tímido para se movimentar. Arrisco em dizer que, mesmo sendo grande fã de Liniker e os Caramellows, a junção dos tambores à música eletrônica foi a melhor apresentação da noite.  

Zero contou que a ideia de se juntar à Zubreu vem da percussão parecer um looping. Com os sintetizadores e equipamentos eletrônicos podemos ouvir vários “loopings de batuque” simultâneos. A MPB estava presente em quase todos os toques, mas poucos se empolgaram e cantaram junto. No encerramento da apresentação é que veio o maior envolvimento do público. Misturando um remix de “Shape of You” à pulssação do axé, o público interagiu tocando xequerê, cantou, dançou e se divertiu.

Liniker e os Caramellows

A atração mais esperada da noite enlouqueceu os fãs antes de começar. Durante a montagem a produção colocou a playlist no chão, como de costume. Os que estavam perto do palco avançaram para espiar e tirar foto, alguns choraram ao ver músicas como “Zero” e “Sem Nome Mas com Endereço” na lista. Quando Rafael Barone (baixo), William Zaharanszki (guitarra), Pericles Zuanon (bateria), e Renata Éssis (backing vocal), Fernando TRZ (teclados), Marja Nehme (percussão), Grazi Pizani (Trompete) e Eder Araújo (saxofone) chegaram, a plateia pedia, enlouquecida, a presença da vocalista, que demorou a chegar devido a problemas técnicos com seu microfone.

Liniker foi recebida com gritos que impediam de ouvir a voz da artista. Durante o show os músicos brincavam, dançavam e se jogavam. Apesar de todo o alvoroço, a banda não trouxe muita novidade e apresentou o mesmo show de abril, quando veio ao Sesc Palladium. O encerramento ficou por conta de “Caeu” e o bis foi uma música inédita que integra o disco que será lançado no ano que vem.

*Sob a supervisão de Carolina Braga

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