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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Festival de Inverno de Ouro Preto reergue em meio a tempos difíceis

Por thiagofonseca*

23/07/2018 às 18:15

Publicidade - Portal UAI
Foto: Larissa Pinto / Divulgação

O Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana foi um dos primeiros  do gênero no Brasil. Viveu momentos gloriosos e outros bem difíceis. Neste ano, chegou à sua 51° edição. Após 17 dias de atuação em três cidades mostrou que é hora de manter a qualidade, aproximar a população da cultura e mostrar uma cidade diferente.

A prefeitura da cidade de Ouro Preto registrou nos dias do Festival a maior taxa e ocupação nos últimos dez anos. Noventa por cento dos hotéis e pousadas estavam cheios. O evento – e também o período de férias – contribuíram para isso. Os números da produção também chamam atenção: mais de 250 pessoas envolvidas nas três cidades que o evento ocupa. Em Ouro Preto, Mariana e João Molevade foram os alunos, funcionários e professores da Universidade Federal que colocaram a mão na massa.

São eles que fazem o evento acontecer. Alguns assumem cargos altos. Foram selecionados por meio de edital e receberam uma bolsa. Ainda teve aqueles que se inscreveram como voluntários. Outros participaram por meio das agências juniores. Foram seis ao todo.

A aluna Marina Santos acompanha o Festival há alguns anos e há dois decidiu que era hora de participar na produção. Logo se inscreveu como bolsista. Foi ela, e mais uma amiga de república, que ficaram responsáveis pelos camarins dos shows na Praça da Ufop. “Gosto muito do evento. Um dos maiores da cidade. Envolve muita gente e é uma oportunidade de abraçar a população. Saio daqui diferente por conta da troca”, conta.

Neste ano, o Festival de Inverno apresentou uma homenagem ao Tropicalismo. Movimento de inovação estética e musical que sacudiu o ambiente da cultura popular brasileira entre 1967 e 1968. “O Tropicalismo marcou época e influencia até hoje diferentes movimentos artísticos. Uma vez que, trouxe uma quebra de paradigmas e uma afirmação do que é brasileiro. Um movimento de resistência e liberdade que casa com o cenário atual”, explica Marcos Knupp, coordenador geral do Festival.

 

 

Escassez de recursos

As prefeituras e algumas empresas parceiras também ajudaram na realização. Entretanto, a falta de patrocínio, mesmo com lei de incentivo aprovada, afetou. “O Festival era patrocinado pelas grandes mineradoras. Com a crise elas frearam o patrocínio. O que fizemos foi buscar parcerias para não afetar na qualidade do evento. O que mais impacta é na remuneração dos artistas. Gostaríamos de pagar melhor”, diz Marcos.

Mesmo com a escassez, foram mais de 400 atrações nas três cidades ao longo de 17 dias. Quase um quarto a mais que no último ano. Além disso, o Festival ampliou o Circuito Natureza e Gastronômico, reativou as atividades da Caravana Festival e envolveu mais as cidades. “Nosso foco este ano foi descentralizar a programação. Com a Caravana levamos cultura para todos os 13 distritos de Ouro Preto. No Circuito Natureza ampliamos as caminhadas para o Parque Municipal das Andorinhas e o Parque Estadual do Itacolomi”, pontua o coordenador.

 

As ruas de Ouro Preto ficaram cheias durante o Festival – Foto: Tainara Torres / Divulgação

 

Programação diversificada

As atrações culturais foram selecionadas por meio de uma equipe de curadores. Todos profissionais da Ufop ou de instituições parceiras, como por exemplo, o IPHAN. Os grupos se inscreveram no edital e foram selecionados de acordo com proposta do Festival. Uma novidade desta edição foi o edital interno para alunos o funcionários da Universidade apresentarem seus projetos culturais. Uma programação que incluía teatro, dança, música, exposição, educação, meio ambiente e lazer.

Sendo assim, os maiores destaques na programação foram as apresentações da banda “Francisco, el hombre”, “Orquestra de Ouro Preto”, “Dolores 602” e “Fractal Orchestra”. Destaque também para “Boca de Ouro”, do Grupo Oficcina Multimédia e do espetáculo de dança “Outro em si”, da Cia Sesc de Dança. A programação local teve espaço e ocupou o palco da Praça da Ufop, o Bar do Festival e o Corredor Cultural espalhado pela cidade.

Cultura em diversos espaços

Em 2018 o Festival também procurou levar a cultura para os bairros periféricos e mostrar aos visitantes uma Ouro Preto diferente do centro histórico. Dessa maneira, cada dia um distrito de Ouro Preto recebia uma atração cultural.

Entretanto, mesmo ampliando e tentando abarcar a todos tem gente que acha que ainda é preciso melhorar. A moradora Rosana Silva, de 53 anos, vê a importância do evento mas aponta sugestões. “Os moradores da cidade ainda ficam à margem por conta da programação mais centralizada. Uma sugestão seria inserir a população mais na programação. Como por exemplo, chamar os artesãos para expor os trabalhos na rua”.

 

Circuito Natureza aproximou o público dos Parques da cidade – Foto: Tuila Dias / Divulgação

 

Circuito Natureza

Foi por meio do ‘Circuito Natureza’, por exemplo, que a cidade é vista pela margem. O programa consiste em caminhadas ecológicas pelos parques, cachoeiras, morros e minas. No último sábado, dia 21, a caminhada foi no Morro da Queimada. Uma trilha de mais de quatro horas.

Durante o trajeto o público teve a oportunidade de ter uma vista panorâmica de todo o centro histórico. A caminhada foi mediada pelo diretor de projetos e áreas protegidas da secretaria de meio ambiente de Ouro Preto, Edenir Ubaldo Monteiro. Dessa forma, cada parada ele contava sobre a história de uma Ouro Preto desconhecida. Durante o percurso Edenir explicou, por exemplo, como era feita a extração de ouro do morro e fez um resgate histórico emocionante sobre a memória dos escravos. O impacto das queimadas, as dificuldades de combate a incêndios e a importância da preservação do meio ambiente também foram temas colocados em pauta.

Festival de Inverno 2019

O Futuro do Festival não é segredo. Segundo Marcos Knupp a edição 2019 é certa. A proposta é ampliar ainda mais. “Vamos fazer um festival melhor que este ano”. A expectativa é que possa conseguir captar recursos para desenvolver o projeto de maneira robusta. E por fim, manter a proposta que é aproximar a Universidade da população, fomentar a cultura e a economia local.

 

 

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