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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Temporada de dança traz espetáculos solos para a Funarte

Encarar morte de um pai por suicídio não é fácil

Por thiagofonseca*

27/07/2018 às 16:25

Publicidade - Portal UAI
Foto: Pablo Bernardo / Divulgação

Encarar morte de um pai por suicídio não é fácil. É justamente sobre isso que o dançarino Wagner Moreira fala no solo ‘I Play D(e)ad’. O espetáculo está em cartaz pela primeira vez em BH, na Funarte, até sábado, dia 28. Ele faz parte da ‘Temporada para Solos de Dança na Funarte’, em cartaz até o final de agosto.

Wagner perdeu o pai aos 19 anos. Agora, prestes a completar 40 anos, decidiu que era hora de homenageá-lo em tom de celebração. Sendo assim, ‘I Play D(e)ad’ percorre diversos períodos da vida do artista até chegar na morte do pai.

“Foi meu pai que me incentivou entrar no ballet clássico. Trabalhei com pesquisa e memória para construir o espetáculo. Trago para o palco o que estava gravado no meu corpo da dança e o que estava na alma em relação a meu pai. Em síntese, brinco com a morte, a vida e meu pai”, explica.

Um novo caminho para a dança

Wagner criou o espetáculo sozinho e teve ajuda de algumas pessoas no processo de finalização. A estreia foi na Alemanha em setembro do ano passado. Depois passou por Barbacena, a terra natal. Diante do cenário de grande dificuldade para produção, o artista acredita que criações em formato de solo são um caminho para os espetáculos de dança. “Dessa forma, é mais fácil circular. Além disso, é mais fácil criar sozinho. Dividir palco não é fácil”, pontua.

Segundo Priscila Patta, curadora do evento, desde o ano 2000 o número de solos aumenta. “Os artistas sentem necessidade em se expressar em primeira pessoa e falar dos assuntos que lhe interessam. Ainda há uma mudança no mercado por conta da redução de investimentos. Isso inviabiliza grandes produções. Fazer carreira solo, além de ser uma opção, vira também uma necessidade”.

 

Equipe da Rede Sola de Dança – Foto: Pablo Bernardo / Divulgação

O evento

Foi baseado nesse contexto que a Rede Sola de Dança decidiu criar a ‘Temporada para Solos de Dança’. É por meio do edital de ocupação da Funarte 2018 que o evento se instalará no espaço até o dia 26 de agosto. Em suma, serão dez espetáculos em cartaz sempre às sexta-férias e sábados, às 20h30. Aos domingos o evento abre portas para Jam Session, às 15h. Um encontro entre dançarinos convidados para o improviso da dança.

Eles são, em sua maioria, artistas de BH que estão na cidade, ou que estão no exterior, e artistas estrangeiros que estão na capital mineira. Cada convidado se apresentará duas vezes. Sendo assim, a programação contará com quatro solos residentes que, por sua vez convidarão outros sete de Belo Horizonte, de outras cidades e até de outros países. Os espetáculos trazem temas ligados às lutas de minorias, como por exemplo, feminismo, negritude, identidade LGBT. Os ingressos custam R$20 (inteira) e R$10 (meia). Já as Jam Session serão com contribuições espontâneas.

De acordo com Priscila Patta, temporadas para solos da dança de média e curta duração não são comuns. “Queremos mostrar para a cidade outros modos de se dançar. Ainda trabalhar a ideia de fomento e fruição. Eventos como esse são importantes para o amadurecimento do artista e da cena. Queremos cobrir uma lacuna que a gente percebe enquanto artista”, pontua.

A curadora ainda tem uma visão otimista da cena de dança em Belo Horizonte. “As pessoas têm se interessado por dança. Mas ainda temos que trabalhar muito. Um trabalho diário no qual a gente como artista precisa entender quem é o publico e como dialogar com ele”.

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