fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Leve e antenado: uma conversa com Silva e seu Brasileiro

Por carolbraga*

20/06/2018 às 14:56

Publicidade - Portal UAI
Foto: Silva / Divulgação

“Você sabe que mineiro e capixaba tem uma história, né? Amor de verão”, brinca o simpático Silva assim que atende o telefone. A leveza com que ele se apresenta à conversa sintetiza não apenas o que o artista é, mas também o que produz. Silva é leve.

O tema da conversa é Brasileiro, o quinto álbum de estúdio do capixaba que, prestes a fazer 30 anos, já demonstrou ser um dos nomes mais interessantes da chamada MPB contemporânea. Ok, sabemos que os rótulos são uma bobagem, mas como classificar a música do Silva? Boa.

Um cantor de voz doce, multiistrumentista que consegue ser romântico ao mesmo tempo que coloca pequenas doses de política nas letras. Bem de mansinho, sem deixar que o recado se sobreponha ao todo da canção. Exemplo? “Guerra é panela sem feijão”, um trecho de Caju. Ou “Eu já me perguntei /Como a gente vai ser brasileiro / Não abrace o desdém / Muita gente não gosta daqui”, de Nada será mais como era antes.

“O disco saiu leve porque era o que eu estava procurando para mim”, conta. Silva diz que gosta de acompanhar as notícias mas notou que as previsões tem sido todas muito pessimistas. “Isso foi me deixando mal e eu precisei encontrar um jeito de ficar bem comigo e enfrentar isso com o meu disco”.

Quando pensou nisso, lembrou-se, imediatamente, de um dos discos que mais o influenciam. Ele confessa ser até uma preocupação. “Amoroso, do João Gilberto, é um dos discos que mais amo na vida. Você ouve em 2018 e ele soa atual”, garante. É o que, com toda simplicidade, ele deseja para a própria carreira.

 

O DISCO

Brasileiro tem 13 faixas. Se são mais românticas do que políticas é porque Silva acredita que já existem muitas pessoas na linha de frente do protesto. “Uma guerra não se faz só de linha de frente”, acredita. Interessa uma música que não faça sentido somente agora. “Não quero colocar o nome do Temer na minha música porque ele vai passar. A música é muito mais forte do que isso. Eles (os políticos) estão aí fazendo coisas que a gente discorda. Quero contribuir para que as pessoas fiquem um pouco mais esperançosas”, explica.

Silva propõe combater a baixa autoestima com poesia e delicadeza. Ele se descreve como um homem que sempre viveu cercado de contradição. Nasceu em uma família protestante e foi estudar música erudita. Cresceu em um bairro de periferia, “no pé do morro” e tocava violino clássico.

“Ao mesmo tempo que o disco trás referências mais refinadas, como João Gilberto, minha irmã do meio é uma pagodeira de mão cheia. Lá em casa ouvimos muito Só pra contrariar, Raça Negra, Axé”, conta. Com o quinto disco da carreira, acredita estar construindo uma carreira que sintetiza tudo isso. E é coerente.

Sintetizadores abrem Brasileiro com Nada será mais como era antes e também aparecem em Caju, Let me say e Ela voa.  A cor é rosa é a mais pop do álbum. O violão se sobressai em Duas da tarde, Prova dos Nove, Milhões de vozes, Guerra de Amor, Sapucaia, instrumental com cara de João Gilberto. A também instrumental Palmeira tem o piano como protagonista. Silva ainda canta Brasil, Brasil, à capela. Ou seja, mistura todos os instrumentos que domina, até a voz.

 

Foto: Fica Tudo Bem / Reprodução Youtube

DIVA POP

Na única faixa em que divide os vocais com alguém, Silva convidou logo Anitta. Combinou. “Acho lindo o que ela conquistou e o que representa”, sintetiza. O cantor gosta de contar que a carioca apareceu para ele como uma parceria inatingível. Mas ela topou.

Segundo Silva, Anitta é hoje a brasileira com maior projeção no exterior. “Acho que a crítica musical tem dificuldade de reconhecer coisas novas. É muito fácil reconhecer a Gal, a Bethânia e quando vamos para as pessoas novas, por que não uma funkeira?”, pergunta.

Estar com ela significa, para Silva, quebrar um pouco a ideia comum de que MPB é música para pouco. “Acho que a música brasileira ficou meio difícil de entender. Todo mundo querendo fazer coisa para crítico”, reclama. Silva confessa que não lê mais o que se publica sobre ele. Primeiro porque não dá tempo de acompanhar tudo. Segundo porque incomoda ler ou ouvir o que não gostaria. “Sempre tem o mas. Se eu falar que não fico afetado é mentira. O importante é a gente ser a gente senão acabamos vivendo para suprir a expectativa das pessoas”. E isso ele não quer.

Silva já percorre o Brasil com o show de Brasileiro. Tem ótimas lembranças da plateia de Belo Horizonte. Tem planos de tocar na cidade, mas ainda não tem datas para anunciar.

photo

Claudia Manzo: cantora ‘brachilena’ que é puro borogodó

A cantora chilena Claudia Manzo tem um borogodó que nem ela sabe explicar. Diz já ter nascido com ele. Só deixa sair. O talento musical e esse gingado estão com ela desde a infância. Hoje, aos 32 anos, é sucesso na cena musical belo-horizontina. Na capital mineira fundou bloco de carnaval, lançou carreira solo, integra uma […]

LEIA MAIS
photo

Do RAP ao cinema: as novidades na carreira de Criolo

Criolo chega a Belo Horizonte esta semana. Além do compromisso no projeto Admirável Música Nova no Centro Cultural Banco do Brasil, na quinta-feira, faz show de graça, sábado (10) na inauguração do Boulevard UniBH. O formato que chegará ao Buritis une o clássico de rap – DJ+MC, relembrando o seu primeiro disco, “Ainda há tempo” lançado em […]

LEIA MAIS
photo

Culturadoria do fim de semana: 21 a 23 de abril

Aqui estão as tradicionais apostas do Culturadoria para o fim de semana prolongado. Se em Ouro Preto tem a tradicional entrega da Medalha da Inconfidência em honra do mártir Tiradentes a história ficcionalizada dele chega aos cinemas sob direção de Marcelo Gomes (Cinema, aspirinas e urubus). O filme exibido em competição no Festival de Berlim […]

LEIA MAIS