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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

De Tom Zé a Veronez: programação artística da CineOP 2018 destaca o tropicalismo e cena local

Por thiagofonseca*

17/06/2018 às 13:00

Publicidade - Portal UAI
Foto: Jackson Romanelli / Divulgação

Mais de cinquenta anos se passaram desde que um movimento de ruptura sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. O tropicalismo misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Foi consagrado e imortalizado, por exemplo, nas vozes de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, da banda Mutantes, do maestro Rogério Duprat e outros. É esse período que a 13º CineOP homenageia. Destaque não apenas no cinema, mas também na música com uma programação artística que além do tropicalismo, prioriza a cena local.

Muita gente pensa que uma Mostra de Cinema é composta exclusivamente de filmes. A CineOP prova o oposto. Suas atrações artísticas e musicais são fortes e estão no mesmo nível que os filmes, ou até mais. Em resumo: os shows realizados todas as noites demonstram que, mesmo com dia cheio de programação voltada para o cinema, ainda há fôlego para se divertir de uma outra maneira. O time para representar o movimento tropicalista no festival foi de peso.

Marcelo Veronez levou um susto ao receber telefone da produção do CineOP lhe convidando para se apresentar no evento. Dessa vez, seria uma participação em dose dupla. Ao festival ficaria encarregado de trazer um número inspirado no período homenageado, para a abertura, e o show ‘Narciso deu um grito’, para integrar a programação artística. Além dele compõem a programação artística da Mostra Tom Zé, Karina Buhr e outros. Performances, cortejo das artes, roda de conversa, exposição e lançamento de livros ainda estão no pacote.

Foi o Sesc Minas que ficou encarregado de preparar toda essa programação. As atrações foram escolhidas em um processo colaborativo entre os analistas de cultura da instituição. “Em diálogo com a produção da Mostra escolhemos nomes e ações baseadas no tropicalismo. Em suma, tentamos trazer personalidade que vivenciaram a época, como Tom Zé, e ainda, bandas da atualidade que conversam com o tropicalismo. Dando também espaço para manifestações tradicionais locais”, explica Laura Guimarães, Gerente de Cultura do Sesc Minas.

Tom Zé

Tom Zé, um dos maiores representantes da Tropicália, chegou alegre. Dessa maneira, conversou com o público e se mostrou metódico com o tempo. Sua apresentação, na noite deste sábado, dia 16, foi a mais esperada de toda a programação.  “O tropicalismo foi feito por meio de uma educação diferente na Bahia. Nos juntávamos e fazíamos nossa música. Quando saiu, virou um escândalo. Não esperávamos. Como provocou, sabíamos que ia ser o melhor. Deu no que deu e hoje estou aqui”, disse.

Ele subiu ao palco bem serelepe. Apresentou a banda e logo disse que não faria discurso político. Ou seja, impossível. Suas letras por si só são manifestações. Sendo assim, cantou grandes sucessos como ‘Fliperama’, ‘Tô’ e ‘Não Tenha Ódio No Verão, em show de aproximadamente uma hora. Falou sobre o sucateamento dos professores e da educação. Disse que o Brasil é um país invadido. Manifestou contra a produção em massa de automóveis. “Acabaram-se os trens porque não emprega, só baratiza”, criticou.

 

Cortejo da arte pelas ruas de Ouro Preto – Foto: Leo Lara / Divulgação

Cena local

O Tropicalismo também está presente na voz de artistas contemporâneos. Exemplo é o próprio Veronez e Candonguêro. O último, é um grupo carnavalesco de Ouro Preto. “O mais interessante de eventos como esse é poder fomentar a cultura local. Dessa forma, valorizar as atrações da região de Ouro Preto. Assim, com o acesso e a democratização da cultura todos ganham”, pontua Laura.

Nessa mesma vibe, seguiu o cortejo da arte pelas ruas da cidade histórica, neste sábado, dia 16. Um tradicional passeio musical com dez grupos de manifestações culturais da cidade. Como blocos de carnaval, o congado, a folia de reis e outros. Destaque para o bloco Zé Pereira, tradicional na cidade há 150 anos.

Neste domingo, dia 17, a exibição dos filmes dará uma pausa para o jogo do Brasil x Suíça. A programação completa você confere aqui.

 

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